sábado, 14 de janeiro de 2012

Aubrigado!


Eis que você decide ir embora!

Depois de quase ter um treco ao ver lixeiros e carteiros passando pelo nosso portão, ou a tia Nilda, filhos e neto se aproximando, ou ainda sua vizinha de frente, que te deu o carinhoso apelido de “sebosa”, você decide ir embora?

Depois de ver a Drica vir e infelizmente ir cedo; ver Anahy vir, trazer uma turma e também ir cedo; superar Fiona Furacão; os poucos dias de Zilda; tolerar, aceitar e aprender a amar Vivioleta, você decide ir embora?

Depois de agir como espiã e se recusar a aceitar minha namorada se não fosse a sua primeira dona, mas aceitar as amigas; depois de se apaixonar loucamente pelo Thiago, Saulo e Ivan; de ir na casa do seu pai sem coleira e parar na porta sozinha; de correr de seu avô babão, mas babar em seu indiferente pai, você decide ir embora?

Depois de receber a apropriada alcunha de “pretexto”, passar de colo em colo enquanto eu mergulhava em personagens Vale afora, de dormir de roncar por várias vezes nos colos da família que nunca te rejeitou, você decide ir embora?

Depois de morder uma pessoa só em toda sua vida, mas olhar com cara de “oncevai?” quando ele ia embora de casa e fazer festa em todos os reencontros (infelizmente o último não deu tempo), você decide ir embora?

Depois de se enrolar em minhas pernas todas as noites desde aquela primeira em 20 de Maio, na sala de casa, e nelas ficar até eu acordar (ou além); de empurrar pra pedir espaço no sofá; chorar pra pedir pra entrar toda manhã; quase falar pra pedir osso; destruir potes e potes de iogurte, você pede pra ir embora?

Ok, eu vou deixar... você foi o exemplo mais sincero da expressão que define sua espécie: “a melhor amiga do homem.”

Eu deixo porque você nunca deixou ninguém ficar triste, não importasse o motivo, eu deixo porque a casa era pequena, mas você correu quilômetros por aquele quintal, indo e vindo pra brincar, brincar até cansar, então agora é hora de você dormir.

Vivioleta ficou e já está estranhando o papel de atriz principal onde ela sempre soube ser coadjuvante, então eu deixo você ir, Ximboquinha, mas... “quem vai lamber essas lágrimas que estão caindo já de saudade de você? Esse papel era seu...”

Mesmo assim, Aubrigado por tudo, minha pretinha, vai com Deus!

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desabafo de um ex-professor

Hoje foi oficialmente a última vez que entrei em uma sala de aula na Etec Machado de Assis, amanhã, aparecerei por lá apenas para últimas despedidas, um café com a molecada, arrumar meu note (Edmar, não falte!!!), entregar o presente da Lê (loira, não falte também!!).
E eu não podia encerrar de outro jeito, cantando, me divertindo, chorando com o 2em1.
Obrigado pela música, pelas fotos, pelas risadas, tentaram de todas as formas me fazer chorar e conseguiram já quase nos acréscimos do árbitro. hehehehe.
Ao longo desses sete anos como professor, tentei ser para os meus alunos um exemplo, ora de luta, perseverança, fé, ora de como não se portar diante de autoridades e regras =).
Não me arrependo de praticamente nada do que fiz com meus alunos, das notas baixas, das brigas, das discussões para melhorar a aula, das piadas, das brincadeiras, das farras.
Agradeço a todos que aceitaram ouvir o que eu tinha para dizer, desde os alunos da Penitenciária, minha primeira inserção em sala (ou cela) de aula, aos alunos do Ensino Médio e Técnico da escola que eu amo e sempre levarei comigo no coração, onde encerrei essa breve, porém intensa, carreira educacional, passando pelos alunos das várias escolas de idiomas por onde passei e pela Laser, que me deu praticamente tudo que tenho hoje em matéria de Língua Inglesa, obrigado mesmo à Sonia, ao Jonas e aos coordenadores que me apoiaram ou pegaram no meu pé nesses cinco anos. Foi na Educação que me encontrei, que encontrei meu grande amor, que pude viver excelentes momentos que nunca esquecerei.
Obrigado a todos que passaram de alguma forma pela minha vida, não deixem a Educação se perder como ela está se perdendo, não deixem de ler, de querer aprender, de respeitar os superiores, de entender que temos uma missão que é a de conduzir mentes em formação para um rumo melhor e mais agradável do que esse que temos hoje.
Há muita diferença entre o Português que eu falo e o Português que eu escrevo, mais do que ensinar gramática ou literatura, me preocupei em educa-los para a vida. Dei dicas de como lidar com relacionamentos, fiz chorar, fiz rir, fiz se irritar.
Há muita diferença entre teoria e prática, mas porque queremos assim, podemos seguir as regras que nos sugerem, a distância deve sempre existir das regras que nos impõem!
Sei que há muita gente incomodada com meu sucesso, feliz com a minha partida por não precisar mais me ver, mas sei que há uma galeeeera que está feliz com a minha partida porque quer me ver bem, pra cima, feliz e realizado. Aos dois grupos, obrigado, sem pessoas torcendo contra, eu não teria de quem tirar sarro quando conseguisse, sem pessoas do meu lado, a vitória não teria a menor graça...
Fiquem com Deus, Javé, Jeová, Alá, com quem quer que vocês acreditem, eu estarei navegando, sempre a dois passos do paraíso, mas sempre com o coração aqui, do lado de vocês.
Parei!

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Diario de Bordo nº000

"Planeta Terra chamando, Planeta Terra chamando! Esse é o diário de bordo de Lucas Silva e Silva, direto do Mundo da Lua, onde tudo pode acontecer."
Por muito tempo, minhas noites na TV Cultura e depois minhas manhãs na Globo iniciavam ao som dessas palavras, isso tinha mais efeito magnético do que o "plim-plim" dos intervalos platinados da sessão da tarde.
Não estou editando o mesmo texto, é que, na verdade agora é minha hora de chamar, agora é minha hora de vestir minha fantasia de Lucas Silva e Silva e gritar: "Planeta Terra chamando", ou "Terra" apenas, é hora de "pegar carona na cauda do cometa..."
Você que sabe o que está acontecendo me perguntaria: "Ué, Erso? (se assim me chamar) Você não ia pro mar? Por que 'Mundo da Lua'? Cauda de cometa?" A resposta é simples: é isso mesmo, depois de 32 caçapavenses anos com breves intervalos assisenses, teatrais, musicais ou futebolísticos, estou saindo do país e pelo mar! Será um novo planeta, satélite, poeira cósmica! Dormirei em um lugar e acordarei em outro, conhecerei povos, terras, águas, chuvas em outras freguesias!
Vou mantê-los informados frequentemente dos meus passos através dessas páginas pois quem me visita aqui, de uma forma geral, quer o meu bem e eu devo dividir com vocês!
Será uma experiência maravilhosa, ainda que seja torturante, porque tudo que é novo, é lindo, até o "esporro" em "gringo" terá uma dor diferente!
A saudade ocupa mais espaço na mala do que as listas de encomendas, mas levo vocês no coração, nas fotos, na lembrança. Farei novos amigos, "melhores amigos de infância", mas tudo que procurarei neles me lembrará vocês. Amores? Não, esse não tem plural, é uma só pra vida toda como eu prometi Ss2F. Aventuras? Com certeza, sou eu, o Erso!!! Como não viver aquelas aventuras que só um Avulso pode viver?
Estou escrevendo essas linhas ainda em Caçapava, ainda no Brasil, ainda sem saber a data do embarque!! Mas já sinto o cheiro da maresia e já dói a saudade de vocês...
Não me esqueçam que eu volto num susto!
Parei.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Colcha de Retalhos

Quando nos lembramos dos tempos de nossos avós, lembramos com carinho. Eu me lembro com saudade do fogão à lenha de uma avó, do café com farinha da outra, da avó paterna lavando louça, da avó materna costurando sua colcha de retalhos... eu tinha uma que ela fez para mim, era quente, eu adorava dormir enrolado nessa colcha... mas nem tudo que lembra nossos avós é positivo.

Estou cansado de andar pelas ruas da minha cidade e encontrar as ruas como autênticas colchas de retalhos. Restos de asfaltos espalhados por cantos e meios de ruas, obras malfeitas e pela metade.

Eu sei porque o prefeito fez cerimônia no túnel sob a Dutra: por que é o mais longe que o buraco vai chegar. Se fosse esperar ficar pronto pra fazer festa, esperaria sentado e perderia a oportunidade de sair no próprio jornal.

Sempre soube que chuvas fortes podem destruir o asfalto, mas as ruas de Caçapava se deterioram com sereno! Na porta da minha casa tem um buraco que espera um retalho de asfalto há meses, demorou tanto para colocá-lo que o buraco já abriu de novo! Agora virá a prefeitura, cobrirá com terra mais uma vez e pedirá para esperar mais uma vida para colocar o remendo.

O desrespeito com o pedestre, o ciclista, o motociclista, o motorista é absurdo, calçadas malcuidadas, árvores com suas raízes destruindo as já malfeitas calçadas, enquanto buracos nascem filhos de buracos já antigos nos mesmos pontos.

A impressão que se tem é que o dinheiro arrecadado com as multas por estacionamento (só para isso vejo servir a “Fiscalização” de Trânsito) vai para comprar tinta. O que se pintam as faixas de trânsito é absurdo! Não digo que não deva pintar, mas é só isso que precisa ser feito?

Uma vez fui multado por atravessar o sinal vermelho na praça da bandeira às oito da noite de uma terça-feira. Sei que não fiz por uma série de fatores (paro no sinal vermelho até de madrugada, nos sinais que funcionam a noite toda e etc.), mas o mais absurdo é pensar que era uma terça-feira de Carnaval!!!! A praça estava fechada!! Como eu passei o sinal vermelho sem atropelar quinhentas pessoas que estavam ali? Eu recorri e meu recurso foi negado, ganharam meu dinheiro, ficaram felizes como ficam ao tomar o dinheiro de quem não tem parente na prefeitura.

Por que todas as vezes que fecham a Praça por causa do Fórum, não colocam um desses “fiscais” de trânsito naquele semáforo da Drogaria São Paulo orientando o trânsito. Eu nunca vi. Ficamos entregues à boa vontade coletiva para saber quem vai no vermelho, no amarelo, pela direita, pela esquerda, por cima!

E a entrada da cidade? Qual o conceito de provisório da Administração Municipal? Quando fecharam o acesso ao início da av. Manoel Alcântara, diziam ser provisório, provisório até quando? Não vai se fazer nada? Vai ficar daquele jeito? Então por que não aproveita aquele trecho? Não amplia a faixa para quem sobe, para evitar as enormes curvas que os ônibus têm que fazer, ou o risco de colisão de quem sobe com quem faz o retorno?

Vejo os guardas municipais andando pelas ruas com sua pose de “poder de polícia”, mas continuo vendo histórias de roubos de bicicletas e demais veículos no centro da cidade em plena luz do dia. Dá vontade de não pagar a zona azul, para levar uma multa e ver se o ladrão não leva meu carro pra não precisar pagar a taxa. Os ciclistas continuam circulando pela praça e calçadão, crianças correndo o risco de ser atropeladas por irresponsáveis sobre pedais que não são punidos pelos fiscais que ficam parados na esquina em frente ao antigo Jequitibá Centro conversando com PM’s ou conversando entre si, cumprindo horário. Eu parei de ir embora a pé pelo calçadão às oito da noite, porque a essa hora eu já estou entregue à minha sorte, OITO DA NOITE!!! E já não há policiamento que garanta minha segurança ao passar pelo centro da cidade!

Seria interessante melhorar o esquema das blitz de trânsito da Polícia Militar. Uma fiscalização mais homogênea, e fiscalização homogênea não é ficar todo dia às seis horas da tarde nas duas pontas da Avenida Brasil, é pegar outros pontos, pegar de surpresa, instalar radares e redutores de velocidade, abordar carros diferentes e não sempre os mesmos, abordar realmente de forma aleatória e não porque é um jovem ou um negro dirigindo como eu sempre vejo.

Parei!

Não precisa da lei para ela ficar legal

Desde a noite do começo de Janeiro de 2008, na porta da barraca, olhando as estrelas, viajando longe com meu super brother Du Spinelli, quando ele me convenceu que era hora de soltar as palavras que ficavam entaladas em minha mente e dedos, eu me preocupava em escrever sobre sentimentos. Falei sobre amor, falei sobre perda, falei sobre dor, sobre esperança...

Se você perguntar para as minhas ex o que as atraiu no começo da conversa, provavelmente elas vão dizer “inteligência” (não acredito que falem que foram os olhos azuis ou a barriga de tanquinho), minha mãe vive falando, nos meus surtos de “Por que eu?” pra eu ter calma, porque sou inteligente e tal... Um tempo atrás, um primo me procurou, disse que tinha lido meus textos, que tinha gostado, mas que faltava polêmica, faltava sangue no Ersoeprosa e eu dizia que não cabia; bom, Dayton, agora cabe, está aberta a caixa de ferramentas.

Não sou usuário de drogas, não preciso abrir minha vida nessas linhas sobre qual é minha experiência ou ausência de a respeito, mas venho me posicionar sobre um tema que causa certas controvérsias: a legalização da maconha.

Quando se fala de pegar uma moto e sair pela estrada afora bem sozinha, logo vem à mente, os metal cowboys de Easy Rider, suas motos personalizadas, cabelos ao vento, bandanas... Cabelos ao vento... Engraçado pensar nisso, a lei que obriga o uso de capacete acabou com o charme da moto, os cabelos ao vento. E o mais curioso é pensar que você usa capacete pela sua segurança, mas se você não usar, você paga o governo, corre o risco de ter a moto apreendida... E se eu cair usando capacete? O governo que vai me pagar? No máximo, eu consigo que pague se eu provar que caí em virtude de uma falha da rua ou da sinalização. Se eu quiser por em risco a minha vida correndo de moto (porque ninguém anda, o povo corre) sem capacete, porque eu devo ser multado? Para se tornar habilitado, tenho que ter 18 anos, no mínimo, ou seja, um mínimo de discernimento espera-se que eu tenha, e mesmo já tendo certa idade, mesmo já tendo o tal discernimento, eu ainda tenho que ser obrigado a usar um item extra ao veículo que escolhi?

Lembro-me de quando surgiu a lei que obrigava todo carro a ter um kit de primeiros-socorros, a máfia que virou de lugares exorbitando seus preços porque todos precisariam comprar os kits... O governo vai pagar pelo capacete que ele me obriga a usar?

Àqueles que virão aqui defender que é dever do Estado zelar pela proteção dos indivíduos, eu digo que é papel do Estado manter nossas ruas e estradas em perfeito estado de conservação para que o tráfego seja feito de forma segura, que eu condeno a obrigatoriedade do uso do capacete, mas não sou a favor da velocidade extrema, pois que controlem os limites de velocidade com radares efetivos e não mero enfeite nas ruas, que a fiscalização seja feita de forma homogênea e não quando os fiscais não querem ficar rodando a dez por hora pelas ruas, sem fazer absolutamente nada pela segurança do cidadão.

O mesmo se aplica ao uso de drogas, se a ciência já provou que o álcool prejudica a saúde do cidadão, se a ciência já provou que o cigarro comum estraga o organismo do fumante e você ainda pode consumi-los livremente nas ruas, porque não se pode fazer o mesmo pela maconha? “Ah, a maconha é alucinógena, o cara fuma e pode fazer alguma besteira”, claro, beber até cair e sair por aí não é fazer besteira, né? O cara só é punido se for pego bêbado e dirigindo, se ele for pego com uma lata de cerveja, se apoiando nela para ficar em pé, ele não será preso por consumir bebida alcoólica, mas se o cara estiver andando pela rua com um cigarro de maconha, segurando-se nele para não cair, é preso.

Mais uma vez virão dizer que é dever do governo zelar pela segurança do cidadão, pois que combata o tráfico, que combata a venda ilegal, a violência dos traficantes, o envolvimento de crianças, pois assim como um menor de 14 anos não pode carregar peso numa fábrica, não pode carregar armas para proteger a boca de fumo.

Não estou aqui fazendo apologia ao uso ou à venda, eu acho que a venda deve ser coibida, mas se alguém quiser consumir, que produza e consuma, é um direito dele, o meu direito vai até onde começa o do outro, o cara não precisa fumar na cara de alguém que se incomoda. Eu não fumo meu cigarro perto dos meus amigos que não gostam, por que o consumidor de maconha não pode fazer o mesmo?

Faça uma campanha de conscientização dos malefícios do uso, vá às escolas, brigue com os adolescentes, pais conversem com seus filhos, mas desde que o mundo é mundo, quando você proíbe algo, aí que ela fica interessante para o jovem, então não proíba, aponte que o caminho é errado, e que se ele escolheu que arque com as consequências.

Vejo menores de 18 anos fumando cigarros comuns nas escolas com o consentimento da direção da escola, mesmo com a venda sendo proibida para essa faixa etária. Hipocrisia não deve ser a palavra de ordem!

Podemos ver governos sustentando milícias, pagando para traficantes não descerem dos morros, lembro-me de quando sequestraram o empresário Silvio Santos e quase 100 mil reais do dinheiro do resgate sumiu em meia hora, depois que os policiais cercaram o bandido e ele “se jogou” da janela do quinto andar, “nada fácil de entender”, como diria o poeta.

E o mesmo governo que rouba, que aumenta seu salário para dez, doze, quinze vezes o mínimo e deixa aposentados e funcionários públicos sem 5% de aumento há anos, agora vem coibir o que as pessoas têm vontade de consumir? “Seremos rigorosos com o combate às drogas e ao roubo”. Por quê? Não admitem concorrência???

Parei!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Essucatão – o novo nome da Educação no país

Recentemente a gente brincava com o telefone celular, dizíamos que tocava música, tinha TV, rádio, câmera de 35 megapixels, filmadora, lanterna, sonar e se desse sorte, ainda servia para fazer ligações.

Hoje, infelizmente, podemos fazer brincadeira parecida com a escola brasileira: há drogas, sexo, jogatina, diversão, violência, e se der sorte, um pouco de ensino...

Estou abandonando o magistério, amo dar aulas, amo ensinar, educar, conversar, discutir, mas estou cansado, não suporto falta de educação, não suporto falar pra quem não quer ouvir e muitos não querem mais ouvir.

Virão “guerreiros” dizer que eu comecei agora, e eles já suportaram muito mais que eu, digo a vocês: I’m sorry, periferia. Eu sou relativamente novo, tenho condições de procurar outra coisa, é pra lá que eu vou. Quer chamar de covarde? Eu me considero esperto, vou pular do barco porque aquela rachadura vai aumentar e essa bodega vai afundar!

A tendência é piorar! Adolescentes hoje na casa dos seus 12 a 15 anos, você chega e pergunta no Halloween: qual sua fantasia favorita? Esperando uma resposta de bruxa, vampiro, lobisomem e escuta: Uma pegada de jeito na praia! Nem com o príncipe as mina sonha mais, vééi...

Pega letra de funk: O pai leva os filhos de 12 a 15 anos na “balada teen”, feliz da vida porque a criança quis comprar o shortinho na loja infantil, mal sabe ele que lá dentro, enquanto ele não chega para buscar, estão lá suas crianças esfregando-se ao som de “to ficando esfoladinha”, “abre a perna, senta e encaixa” e por aí vai (e vem e vai e vem...)

Agora tira isso na escola!! Essa criançada, você vai dar aula de biologia, reprodução humana, fala de próstata e sêmen, um aluno pergunta: Que porra é essa? E outro já responde: exatamente!

Na aula de artes? Na aula de artes, você mostra as fotos das esculturas gregas e aquela menininha com ares de inocência levanta a mão e pergunta ao professor: “Profeee, por que o dos gregos é tão menor que OS que eu já vi?” OS, OS, não é o, ou coisa parecida, é OS!! Ela tem o que? 15 anos, 16 anos no máximo!!

Adolescente hoje olha o Kama Sutra e se surpreende não com o que vê, mas com o que não está ali: “Puts, eu tenho um arquivo oculto na minha HD com mais um monte de jeitos que dá pra dobrar esse livrinho.”

Por causa da internet, cursos a distância e etc. hoje o jovem tem acesso a muito mais informação do que tinha antes e acha que sabe mais que o professor. Agora pede para um filho de um frango desses escrever um texto! É meia hora para codificar a língua usada pelo caboclo e depois mais uma vida para entender o que ele quis dizer!

Mas a culpa não é só do aluno, ou do pai e da mãe. A escola tem sua culpa nisso e é grande! Eu trabalho em uma ótima escola, com bons recursos, com alguns bons colegas, mas o sistema falho. Além da forma de avaliação e de conceitos que eu questiono, uma burocratização típica de um ensino técnico e uma preocupação com resultados sem olhar para o caminho. Em Educação os fins não devem justificar os meios, deve-se pensar nos meios e nos fins, e eu to com medo do fim disso tudo, porque o meio está sendo feito de qualquer jeito, preocupa-se com bônus, com números, com dados, com estatísticas, e o ser humano? E o aprendizado? E a aula?

Enquanto olharmos para o número e não olharmos para o aluno, o humano por trás daquela matrícula, trataremos algo tão complexo de forma fria, distante, como a Educação não deve ser tratada.

Parei!

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