Desde a noite do começo de Janeiro de 2008, na porta da barraca, olhando as estrelas, viajando longe com meu super brother Du Spinelli, quando ele me convenceu que era hora de soltar as palavras que ficavam entaladas em minha mente e dedos, eu me preocupava em escrever sobre sentimentos. Falei sobre amor, falei sobre perda, falei sobre dor, sobre esperança...
Se você perguntar para as minhas ex o que as atraiu no começo da conversa, provavelmente elas vão dizer “inteligência” (não acredito que falem que foram os olhos azuis ou a barriga de tanquinho), minha mãe vive falando, nos meus surtos de “Por que eu?” pra eu ter calma, porque sou inteligente e tal... Um tempo atrás, um primo me procurou, disse que tinha lido meus textos, que tinha gostado, mas que faltava polêmica, faltava sangue no Ersoeprosa e eu dizia que não cabia; bom, Dayton, agora cabe, está aberta a caixa de ferramentas.
Não sou usuário de drogas, não preciso abrir minha vida nessas linhas sobre qual é minha experiência ou ausência de a respeito, mas venho me posicionar sobre um tema que causa certas controvérsias: a legalização da maconha.
Quando se fala de pegar uma moto e sair pela estrada afora bem sozinha, logo vem à mente, os metal cowboys de Easy Rider, suas motos personalizadas, cabelos ao vento, bandanas... Cabelos ao vento... Engraçado pensar nisso, a lei que obriga o uso de capacete acabou com o charme da moto, os cabelos ao vento. E o mais curioso é pensar que você usa capacete pela sua segurança, mas se você não usar, você paga o governo, corre o risco de ter a moto apreendida... E se eu cair usando capacete? O governo que vai me pagar? No máximo, eu consigo que pague se eu provar que caí em virtude de uma falha da rua ou da sinalização. Se eu quiser por em risco a minha vida correndo de moto (porque ninguém anda, o povo corre) sem capacete, porque eu devo ser multado? Para se tornar habilitado, tenho que ter 18 anos, no mínimo, ou seja, um mínimo de discernimento espera-se que eu tenha, e mesmo já tendo certa idade, mesmo já tendo o tal discernimento, eu ainda tenho que ser obrigado a usar um item extra ao veículo que escolhi?
Lembro-me de quando surgiu a lei que obrigava todo carro a ter um kit de primeiros-socorros, a máfia que virou de lugares exorbitando seus preços porque todos precisariam comprar os kits... O governo vai pagar pelo capacete que ele me obriga a usar?
Àqueles que virão aqui defender que é dever do Estado zelar pela proteção dos indivíduos, eu digo que é papel do Estado manter nossas ruas e estradas em perfeito estado de conservação para que o tráfego seja feito de forma segura, que eu condeno a obrigatoriedade do uso do capacete, mas não sou a favor da velocidade extrema, pois que controlem os limites de velocidade com radares efetivos e não mero enfeite nas ruas, que a fiscalização seja feita de forma homogênea e não quando os fiscais não querem ficar rodando a dez por hora pelas ruas, sem fazer absolutamente nada pela segurança do cidadão.
O mesmo se aplica ao uso de drogas, se a ciência já provou que o álcool prejudica a saúde do cidadão, se a ciência já provou que o cigarro comum estraga o organismo do fumante e você ainda pode consumi-los livremente nas ruas, porque não se pode fazer o mesmo pela maconha? “Ah, a maconha é alucinógena, o cara fuma e pode fazer alguma besteira”, claro, beber até cair e sair por aí não é fazer besteira, né? O cara só é punido se for pego bêbado e dirigindo, se ele for pego com uma lata de cerveja, se apoiando nela para ficar em pé, ele não será preso por consumir bebida alcoólica, mas se o cara estiver andando pela rua com um cigarro de maconha, segurando-se nele para não cair, é preso.
Mais uma vez virão dizer que é dever do governo zelar pela segurança do cidadão, pois que combata o tráfico, que combata a venda ilegal, a violência dos traficantes, o envolvimento de crianças, pois assim como um menor de 14 anos não pode carregar peso numa fábrica, não pode carregar armas para proteger a boca de fumo.
Não estou aqui fazendo apologia ao uso ou à venda, eu acho que a venda deve ser coibida, mas se alguém quiser consumir, que produza e consuma, é um direito dele, o meu direito vai até onde começa o do outro, o cara não precisa fumar na cara de alguém que se incomoda. Eu não fumo meu cigarro perto dos meus amigos que não gostam, por que o consumidor de maconha não pode fazer o mesmo?
Faça uma campanha de conscientização dos malefícios do uso, vá às escolas, brigue com os adolescentes, pais conversem com seus filhos, mas desde que o mundo é mundo, quando você proíbe algo, aí que ela fica interessante para o jovem, então não proíba, aponte que o caminho é errado, e que se ele escolheu que arque com as consequências.
Vejo menores de 18 anos fumando cigarros comuns nas escolas com o consentimento da direção da escola, mesmo com a venda sendo proibida para essa faixa etária. Hipocrisia não deve ser a palavra de ordem!
Podemos ver governos sustentando milícias, pagando para traficantes não descerem dos morros, lembro-me de quando sequestraram o empresário Silvio Santos e quase 100 mil reais do dinheiro do resgate sumiu em meia hora, depois que os policiais cercaram o bandido e ele “se jogou” da janela do quinto andar, “nada fácil de entender”, como diria o poeta.
E o mesmo governo que rouba, que aumenta seu salário para dez, doze, quinze vezes o mínimo e deixa aposentados e funcionários públicos sem 5% de aumento há anos, agora vem coibir o que as pessoas têm vontade de consumir? “Seremos rigorosos com o combate às drogas e ao roubo”. Por quê? Não admitem concorrência???
Parei!